Celina amplia vantagem no DF e transforma ataques dos adversários em força eleitoral

Celina amplia vantagem no DF e transforma ataques dos adversários em força eleitoral

 Nova rodada do Datafolha mostra a governadora com 40% das intenções de voto e 23 pontos à frente de José Roberto Arruda

O levantamento do Datafolha divulgado nesta sexta-feira (11), contratado pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo e registrado sob os códigos DF-06055/2026 e BR-04623/2026, aponta um crescimento expressivo de Celina Leão (PP) na disputa pelo Governo do Distrito Federal.

A atual gestora aparece com 40% das intenções de voto. Seu principal adversário, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), registra 17%. A diferença entre os dois candidatos chega, portanto, a 23 pontos percentuais.

Os números revelam uma mudança significativa no cenário eleitoral e reforçam o enfraquecimento da candidatura de Arruda. A perda de apoio ocorre em meio às dificuldades políticas e jurídicas enfrentadas pelo ex-governador.

Na esfera judicial, a possibilidade de inelegibilidade ganhou força após o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) rejeitar, por unanimidade — cinco votos a zero —, o registro da chapa de Arruda. A decisão foi fundamentada nas condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora.

O ex-governador ainda aposta em uma reversão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas enfrenta um caminho considerado difícil diante de seu histórico judicial.

No Supremo Tribunal Federal (STF), também está em discussão uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra mudanças promovidas pelo Congresso Nacional na Lei da Ficha Limpa. Esse ambiente de incerteza contribui para afastar eleitores que não desejam apoiar uma candidatura sujeita a impedimentos legais.

A trajetória apresentada pelas últimas pesquisas ajuda a dimensionar a mudança no quadro eleitoral:

  • No Datafolha de 21 de agosto, Celina tinha 30%, enquanto Arruda aparecia com 28%, configurando empate técnico no início da propaganda eleitoral.
  • Na pesquisa Quaest divulgada no fim de agosto, Celina avançou para 34%, e Arruda recuou para 23%.
  • No Datafolha de 11 de setembro, a governadora chegou a 40%, enquanto o ex-governador caiu para 17%. Leandro Grass (PT), com 16%, passou a ameaçar a segunda colocação de Arruda.

Em uma simulação sem o candidato cujo registro foi barrado pela Justiça Eleitoral, a vantagem de Celina aumenta. Ela alcança 45% das intenções totais e 54% dos votos válidos, resultado suficiente para encerrar a disputa ainda no primeiro turno.

Além das dificuldades jurídicas de Arruda, outro fator teria contribuído para o avanço da governadora: o tom agressivo adotado por seus adversários ao longo da campanha.

Sem conseguir contrapor projetos e realizações à agenda de entregas do governo, os concorrentes intensificaram críticas pessoais contra Celina e seus familiares. Vídeos recortados, acusações sem comprovação e discursos marcados pelo confronto passaram a ocupar espaço frequente nas redes sociais.

A estratégia, entretanto, não produziu o desgaste esperado. O eleitorado brasiliense, acostumado a sucessivas turbulências políticas, demonstrou rejeição aos ataques e ao clima de hostilidade.

A ofensiva protagonizada por Arruda, Leandro Grass, Paula Belmonte e Kiko “Taputo” acabou se voltando contra os próprios autores. Em vez de enfraquecer Celina, o ambiente de confronto fortaleceu sua imagem de resistência e liderança.

Os dados divulgados pelo Datafolha em 11 de setembro deixam um recado claro para a disputa eleitoral no Distrito Federal: ataques pessoais e discursos movidos pelo ressentimento não têm conquistado o eleitor.

Quanto mais os adversários aumentam o tom, mais a Leoa avança nas pesquisas.