CLIMA: El Niño deve ganhar força no segundo semestre

CLIMA: El Niño deve ganhar força no segundo semestre
(Foto: Envato)

Projeções indicam temperaturas acima da média, redução das chuvas em parte do país e aumento do risco de incêndios florestais entre agosto e dezembro.

As projeções climáticas para o segundo semestre apontam que o fenômeno El Niño deverá se intensificar nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade forte ou muito forte entre agosto e dezembro. O cenário foi apresentado durante reunião técnica de monitoramento climático realizada por órgãos federais e instituições de pesquisa, que avaliaram os impactos esperados sobre o clima brasileiro.

Segundo os especialistas, a intensificação do fenômeno deverá alterar o regime de chuvas em diversas regiões do país. A previsão indica redução das precipitações em áreas da Região Norte e em parte do Centro-Oeste, incluindo o Pantanal. Caso o El Niño alcance intensidade muito forte, os efeitos poderão ser ainda mais severos, agravando o período de estiagem nessas localidades. Em contrapartida, a Região Sul deverá registrar volumes de chuva acima da média.

Além das mudanças nas chuvas, os modelos meteorológicos apontam que as temperaturas permanecerão acima da média em grande parte do território nacional durante o trimestre de agosto, setembro e outubro, aumentando a ocorrência de ondas de calor e favorecendo condições de tempo seco.

Outro fator de preocupação é o crescimento do risco de incêndios florestais. As projeções indicam maior probabilidade de queimadas entre agosto e outubro, principalmente nos biomas Amazônia, Cerrado e Caatinga. Entre os estados mais suscetíveis estão Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso, onde a combinação de calor intenso, baixa umidade e vegetação seca pode favorecer a propagação do fogo.

As análises foram elaboradas por especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ).

O monitoramento integra o acompanhamento permanente das condições climáticas realizado ao longo do ano e tem como objetivo orientar ações de prevenção aos incêndios florestais, apoiar o planejamento dos órgãos públicos e reduzir os impactos provocados pelo avanço da estiagem em diferentes regiões do país.