ELEIÇÕES 2026: Primeira semana expõe estratégias dos candidatos ao Governo de Goiás
Daniel leva a base para as ruas e aposta na força dos prefeitos; Marconi concentra agenda na articulação e Wilder reforça identidade bolsonarista
A primeira semana da campanha oficial ao Governo de Goiás revelou estratégias distintas entre os principais candidatos e começou a desenhar o mapa político da disputa que seguirá até outubro. Enquanto Daniel Vilela (MDB) colocou uma ampla estrutura de prefeitos, vereadores e lideranças nas ruas e priorizou carreatas pelo interior, Marconi Perillo (PSDB) concentrou boa parte dos compromissos em Goiânia, entre entrevistas, sabatinas e articulações. Wilder Morais (PL), por sua vez, dividiu a agenda entre capital e municípios do interior, mantendo forte identificação com o eleitorado conservador e com a estrutura do PL.
Ainda é cedo para estabelecer uma tendência definitiva para a eleição, mas o primeiro movimento das campanhas mostra onde cada candidato decidiu concentrar tempo, estrutura e capital político. A expectativa é de que, com o avanço da disputa, os três principais nomes ampliem a presença regional e intensifiquem o contato direto com os eleitores.
Daniel aposta na força da base municipal
A campanha de Daniel Vilela teve a agenda mais intensa de deslocamentos pelo interior nesta primeira semana. A largada ocorreu no domingo (16), no Entorno do Distrito Federal, ao lado do candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), em uma caravana que percorreu seis municípios.
Na quarta-feira (19), o governador voltou às estradas com uma sequência de cinco carreatas por Itaguaru, Uruana, Carmo do Rio Verde, Ceres e Rialma. No dia seguinte, passou por Abadia de Goiás, Guapó e Aragoiânia, antes de participar de um adesivaço em Aparecida de Goiânia. Nesta sexta-feira (21), o roteiro avançou para Piracanjuba, Rio Quente e Caldas Novas.
O modelo adotado pelo emedebista busca explorar a estrutura municipal construída pela aliança governista. Prefeitos, vereadores, candidatos proporcionais e lideranças regionais participam das atividades, permitindo à campanha demonstrar capilaridade política e mobilizar grupos locais em torno da candidatura.
O discurso também segue uma linha definida: associar Daniel à continuidade das administrações de Ronaldo Caiado e defender que os resultados obtidos nos últimos anos devem servir como base para um novo ciclo de investimentos. A campanha procura apresentar a eleição como uma escolha entre a continuidade do atual projeto e uma eventual mudança de direção no Estado.
Marconi prioriza articulação e exposição
Marconi Perillo iniciou a campanha em Rio Verde e Goianésia, mas passou a maior parte da primeira semana em Goiânia. Depois de uma pré-campanha marcada por viagens e encontros com lideranças no interior, o tucano passou a concentrar esforços em sabatinas, entrevistas, reuniões para elaboração do plano de governo e articulações políticas.
A terça-feira (18) foi uma das exceções, com compromissos em Abadia de Goiás, Aragoiânia, Varjão, Cezarina e Guapó. Nos demais dias, Marconi esteve principalmente na capital, onde visitou o Camelódromo, o Conselho Regional de Contabilidade, o Sindicato dos Delegados de Polícia, o Polo Comercial e o Sicoob, além de participar de reuniões com representantes da cultura, lideranças do interior e integrantes do Entorno.
A estratégia indica uma mudança de ritmo em relação à pré-campanha. Com forte reconhecimento do eleitorado por ter governado Goiás por quatro mandatos, Marconi tenta transformar sua experiência administrativa em argumento eleitoral e, ao mesmo tempo, ampliar a exposição de suas propostas para voltar ao centro da disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
Wilder reforça identidade do PL
Wilder Morais começou oficialmente a campanha em Taquaral, sua cidade natal, e distribuiu os compromissos entre diferentes regiões de Goiás. O candidato esteve em Anápolis, Niquelândia, Muquém, durante a Romaria de Nossa Senhora D'Abadia, além de Firminópolis, Rio Verde e Montividiu.
Na capital, participou de agendas ao lado da vice na chapa, Ana Paula Rezende, que também tem realizado atividades de rua. O roteiro incluiu ainda eventos de candidatos proporcionais do PL e compromissos destinados a fortalecer a estrutura partidária.
A estratégia de Wilder é diferente da adotada por Daniel. Enquanto o governador utiliza a amplitude da aliança para demonstrar força municipal, o senador procura manter sua candidatura diretamente associada ao PL e ao campo político bolsonarista, apostando na mobilização do eleitorado conservador.
PT divide agenda entre Lula e campanha estadual
Entre as demais candidaturas, Luis Cesar Bueno (PT) iniciou a campanha em um ritmo diferente. O petista participou, no dia 16, do lançamento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em São Paulo, e concentrou parte da primeira semana em entrevistas, sabatinas e gravações de programas eleitorais.
A principal incursão pelo interior ocorreu na quarta-feira (19), com compromissos em Professor Jamil, Panamá e Itumbiara. Na agenda, o candidato se reuniu com empresários, candidatos e lideranças políticas.
Na quinta-feira (20), Luis Cesar retornou à Região Metropolitana, onde participou de uma caminhada em Aparecida de Goiânia ao lado da deputada federal Adriana Accorsi, além de um bandeiraço da juventude na Praça Universitária e do lançamento coletivo de candidaturas negras.
UP aposta no corpo a corpo
Com estrutura menor em relação às demais candidaturas, Luciana Amorim (UP) iniciou a campanha priorizando o contato direto com os eleitores e a mobilização da militância.
Na segunda-feira (17), participou de sabatina no jornal A Redação e realizou panfletagens em locais como os câmpus Samambaia e Colemar Natal e Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), além da Cargill, Praça do Bandeirante e Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Anápolis.
Na quarta-feira (19), além de entrevista à Rádio Difusora, a candidata participou de plenárias de apresentação da UP em Goiânia e Anápolis e de uma atividade online voltada ao interior.
A campanha aposta em universidades, locais de trabalho, espaços públicos e atividades de militância para ampliar a presença da candidatura. O modelo combina contato direto com o eleitor, divulgação das propostas e mobilização da estrutura partidária.
Disputa começa a ganhar forma
Os primeiros dias de campanha ainda não permitem projetar o resultado das urnas, mas já deixam claras algumas diferenças entre os candidatos. Daniel Vilela aposta na força da máquina partidária e na presença de prefeitos e lideranças municipais; Marconi trabalha para transformar experiência política e exposição pública em competitividade; Wilder busca consolidar o espaço do PL e do bolsonarismo no Estado.
Enquanto isso, PT e UP seguem estratégias próprias, com menor estrutura de mobilização e maior concentração em militância, entrevistas, atividades partidárias e contato direto com segmentos específicos.
Com mais de um mês de campanha pela frente, a tendência é que as agendas se tornem cada vez mais regionalizadas, com carreatas, caminhadas, reuniões e eventos políticos espalhados pelo Estado. A primeira semana, portanto, funciona menos como definição de forças e mais como uma prévia de como cada candidatura pretende disputar o eleitorado goiano até 4 de outubro.







