JUSTIÇA: Ministro do STJ entra na investigação sobre venda de sentenças
Decisão do ministro Cristiano Zanin amplia a Operação Sisamnes e inclui, pela primeira vez, um integrante de Corte Superior no inquérito conduzido pela Polícia Federal.
A investigação sobre um suposto esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ganhou um novo desdobramento nesta sexta-feira (24). O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a inclusão do ministro Marco Buzzi no inquérito da Operação Sisamnes, atendendo a um pedido da Polícia Federal (PF), que afirmou ter identificado indícios da participação do magistrado durante o andamento das apurações.
O processo tramita sob segredo de Justiça, e, por isso, o conteúdo dos elementos apresentados pela Polícia Federal não foi divulgado. As investigações apuram suspeitas de que servidores vinculados a gabinetes do STJ teriam utilizado de forma irregular o acesso ao sistema eletrônico de elaboração de minutas de votos para comercializar informações privilegiadas a terceiros.
A decisão representa um novo avanço da Operação Sisamnes e marca a inclusão, pela primeira vez, de um ministro de uma Corte Superior entre os investigados no caso. Em maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia denunciado nove pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção, violação de sigilo funcional e exploração de prestígio, com base nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Após a autorização do STF, a defesa do ministro Marco Buzzi divulgou nota informando que ele não tinha conhecimento da investigação e negando qualquer envolvimento com os fatos apurados. Os advogados também afirmaram que o magistrado não mantém relação com as atividades profissionais de seus familiares e ressaltaram que a legislação impede sua atuação em processos que envolvam parentes.
A Operação Sisamnes segue em andamento e busca esclarecer a existência de uma suposta estrutura voltada à comercialização de informações sigilosas e ao favorecimento de interesses privados em processos judiciais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça.





