China e Rússia vetam resolução da ONU sobre proteção de transporte marítimo em Ormuz

China e Rússia vetam resolução da ONU sobre proteção de transporte marítimo em Ormuz

Por David Brunnstrom

7 Abr (Reuters) - A China e a ​Rússia vetaram nesta terça-feira uma resolução da ONU que encorajava os Estados a coordenar esforços para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz, e o embaixador dos EUA no órgão mundial conclamou as 'nações responsáveis' a se unirem aos norte-americanos para proteger a importante hidrovia.

Dentre os 15 membros do Conselho de Segurança,  11 votaram a favor da resolução apresentada pelo Barein, e 2 posicionaram-se contra -- China e Rússia --, além de duas abstenções.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou que 'toda uma civilização morrerá esta noite', já que o Irã não deu sinais de que possa aceitar ⁠o ultimato ⁠para abrir o Estreito de Ormuz ​até a ‌noite desta terça-feira, horário de Washington.

Os preços do petróleo subiram desde que os EUA e Israel atacaram o Irã, no final de fevereiro, desencadeando um conflito que já dura mais de cinco semanas, enquanto Teerã fechou boa parte do Estreito, anteriormente rota ⁠de cerca de um quinto do petróleo global e do gás natural liquefeito.

O ​embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, condenou os vetos da Rússia e ​da China, dizendo que eles representam 'um novo fundo do ‌poço'.

'Ninguém deveria tolerar isso. ​Eles estão ⁠mantendo a economia global sob a mira de uma arma. Mas hoje, a Rússia e a China toleraram isso. Eles se aliaram a um regime que busca intimidar o Golfo até a submissão, mesmo ​quando brutaliza seu próprio povo.'

Waltz disse que o Irã poderia escolher 'reabrir o Estreito, buscar a paz e fazer as pazes'.

'Mas até lá e depois disso, pedimos às nações responsáveis que se juntem a nós para garantir o Estreito de Ormuz, protegendo-o, assegurando que ele permaneça ​aberto ao comércio legal, aos bens humanitários e à livre circulação dos bens do mundo', disse ele.

A França também lamentou os vetos.

'O objetivo era encorajar medidas estritamente defensivas para garantir a segurança e a proteção do Estreito sem que houvesse uma escalada', disse seu embaixador na ONU, Jérôme Bonnafont.

China e Rússia usaram seus vetos, embora o Barein tenha enfraquecido significativamente a resolução após a China se opor à autorização de uso da força.

A minuta submetida à votação retirou qualquer ​autorização para o uso da força. Uma referência explícita à aplicação obrigatória, incluída em uma minuta ‌anterior, também foi deixada de lado.

Em vez ⁠disso, o texto incentivou fortemente os Estados a 'coordenar esforços, de natureza defensiva, proporcionais às circunstâncias, para contribuir para garantir a segurança e a proteção da navegação no Estreito de Ormuz.'

O ⁠texto também dizia que tais contribuições poderiam incluir 'a escolta ⁠de navios mercantes e comerciais' e endossava os ⁠esforços para 'impedir tentativas ⁠de ​fechar, obstruir ou interferir de alguma forma na navegação internacional pelo Estreito de Ormuz'.

(Reportagem de David Brunnstrom)