Empresas abandonam soluções padronizadas e investem em tecnologia sob medida
Busca por eficiência operacional e redução de falhas impulsiona projetos personalizados em setores como saúde, indústria e hotelaria
O crescimento do uso de inteligência artificial, automação e sistemas conectados tem levado empresas brasileiras a rever a forma como estruturam suas redes e sistemas de tecnologia. Em vez de modelos padronizados, cresce a procura por projetos personalizados, desenvolvidos conforme os riscos, as características e as necessidades de cada operação.
A mudança acompanha o avanço da digitalização no país. Dados da Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 89,1% das empresas industriais analisadas já utilizam ao menos uma tecnologia digital avançada, como computação em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas e análise de dados. Entre elas, 90,3% relataram aumento de eficiência operacional.
O crescimento ocorre em um cenário de expansão do próprio setor de tecnologia. Segundo o IBGE, enquanto o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, o segmento de Informação e Comunicação avançou 6,5%, acima da média da economia.
Para o CEO da Horus Distribuidora, Cláudio Mohn França, a infraestrutura tecnológica deixou de ser apenas suporte técnico e passou a ter impacto direto sobre a operação das empresas. “Hoje, uma rede mal dimensionada pode gerar parada de sistema, perda de imagem, instabilidade e prejuízo operacional. A infraestrutura passou a fazer parte da estratégia do negócio”, afirma.
Segundo ele, a procura por projetos personalizados cresceu principalmente em ambientes considerados críticos, onde fatores como calor, umidade, produtos químicos ou grande circulação de pessoas podem comprometer o funcionamento dos equipamentos. “O projeto precisa considerar o ambiente real da operação e não apenas instalar uma solução padrão”, diz.
O gerente de negócios da Horus Distribuidora, Victor Guedes afirma que um dos projetos desenvolvidos pela empresa foi voltado para um resort com áreas sujeitas à umidade e contato frequente com produtos químicos. A estrutura utilizada anteriormente apresentava problemas recorrentes de oxidação, afetando sistemas de conectividade e monitoramento. “O problema não era apenas ter rede, mas ter a rede adequada para aquele ambiente”, afirma.
Segundo o gerente de negócios, no novo projeto foi adotada uma solução com proteção IP67, preparada para suportar contato com água e agentes químicos. A mesma lógica também passou a ser aplicada em hospitais e indústrias. Em Brasília, um hospital adotou uma rede óptica de alta capacidade dentro do planejamento voltado à ampliação de serviços e futuras aplicações com apoio de robótica médica. Já em uma farmacêutica, a estrutura de conectividade foi desenvolvida para suportar a higienização diária dos equipamentos sem comprometer a operação.
Além das redes físicas, a personalização também avançou nos sistemas de monitoramento. Soluções de circuito fechado de televisão (CFTV) com análise de vídeo já conseguem identificar padrões de comportamento e emitir alertas automáticos. “Hoje, a câmera deixou de apenas gravar imagens. Ela passou a interpretar eventos”, afirma Willy Gomes, gerente de projetos da Horus Distribuidora.
Para Cláudio Mohn, a tendência é que redes, monitoramento, inteligência artificial e automação funcionem de forma cada vez mais integrada nas operações empresariais. Com mais equipamentos conectados e maior dependência de dados em tempo real, empresas passaram a tratar a infraestrutura tecnológica como parte central da estratégia operacional.





