Colégio conquista mais de 10 troféus com times de vôlei e futsal infantojuvenis
Após a pandemia, escola apostou em formação de times de vôlei e futsal e além de muitas medalhas, atividade virou ferramenta pedagógica
Alunos com dificuldade de socialização e altos índices de sedentarismo. Este era apenas um dos cenários nas escolas após a pandemia da Covid-19. Na tentativa de promover uma atividade extracurricular que envolvesse a comunidade e ao mesmo tempo ampliasse a prática de atividade física, um colégio da capital decidiu formar times de vôlei e futsal para crianças e adolescentes de 06 a 17 anos, com aulas além da grade curricular. Mais de 4 anos depois, com uma adesão cada vez maior, os times se tornaram referência na cidade e além de vencerem diversos campeonatos infantojuvenis, os estudantes aprenderam sobre respeito, disciplina, inclusão e o resultado foi percebido dentro da sala de aula. O esporte virou ferramenta pedagógica.
Leonardo Tavares de Araújo é professor de educação física do Colégio Elite Degraus, localizado na Vila União, e é conhecido como tio Léo. Ele explica que a melhora aconteceu não apenas na saúde e na socialização, mas apoiou o desenvolvimento acadêmico. “Começamos com as turmas após a pandemia e a intenção era promover uma atividade em que os alunos pudessem ter a oportunidade de fazer uma atividade física e aprender alguns valores que o esporte ensina, como respeito e disciplina. Os resultados foram maravilhosos, tivemos grande adesão e a satisfação não apenas dos alunos, mas dos pais que foram notando todos os ganhos”, completa.
Uma das diretoras do Colégio, Poliana Gomes afirma que a ideia é cultivar o amor pelo aprendizado, com garra para superar desafios, foco em objetivos e mérito em cada conquista. “Nesse sentido, a prática esportiva se torna um pilar essencial que acompanha a jornada completa de nossos alunos. Iniciamos com as crianças desde a Educação Infantil, estimulando a prática esportiva e utilizando todos os seus benefícios para o desenvolvimento integral. Assim, o esporte se torna um verdadeiro treino para a vida: aprendemos a trabalhar em equipe, a desenvolver disciplina e a lidar com vitórias e derrotas, lapidando em cada aluno a resiliência e a paixão necessárias para alcançar todo o seu potencial. Essa formação segue até o Ensino Médio, preparando nossos estudantes não apenas para o acesso à universidade, mas também para os desafios da vida, com a mesma garra e foco que demonstram nas quadras, dentro e fora delas”, finaliza.
Colecionando troféus
Apenas em 2024, conquistou, com os times de futsal: 1º lugar na categoria sub 8 da Copa Pró-Futsal; 2º lugar na Liga Goianiense escolar sub 14 e 1º lugar na Liga Goianiense escolar no módulo bronze. Os times de vôlei, por sua vez, conquistaram o 1º lugar na Liga Goianiense escolar módulo diamante sub 14 e 2º lugar na Liga Goianiense escolar módulo ouro sub 17.
No ano passado, as vitórias também vieram: troféus nas categorias sub 08 , sub 10 e sub 12 na modalidade de futsal e 3 lugar na categoria sub 17 na liga goianiense escolar.
Esporte precisa incluir
Léo afirma que, no fundo, transformar o esporte em inclusão é fazer da quadra um espaço em que cada criança se sente pertencente, reconhecida e valorizada, independentemente de diagnóstico ou habilidade. “A Educação Física (e o esporte, em geral) pode ser um espaço potente de inclusão, mas isso só acontece quando o professor organiza suas práticas com intencionalidade. Algumas estratégias foram necessárias no Degraus, por exemplo, para garantir a participação de alunos com Altas Habilidades, Autismo, TDAH, Nanismo e outras condições”, explica.
Ele também lista alguns pontos que acredita serem fundamentais para que a inclusão seja mais que discurso:
Respeitar ritmos individuais: cada criança tem seu tempo e sua forma de aprender. Adaptar regras, materiais (como bolas maiores ou mais leves) e até o espaço físico ajuda muito.
Valorizar diferentes talentos: o esporte não é só quem corre mais ou faz mais pontos. Tem quem organiza, quem incentiva, quem cria estratégias, quem ajuda o colega. Dar visibilidade a esses papéis amplia a participação.
Priorizar a cooperação sobre a competição: atividades que incentivam o trabalho em grupo e metas coletivas fazem com que ninguém seja excluído por desempenho.
Dar significado às práticas: quando a criança entende que a atividade vai além de “ganhar” ou “perder”, e pode ser um momento de diversão, superação ou de expressão corporal, ela se engaja mais.
Promover segurança emocional: muitas crianças já chegam com medo de errar ou serem julgadas. O professor precisa garantir um espaço de respeito, onde errar faz parte do aprender.
Trabalhar valores humanos: inclusão, solidariedade, respeito e empatia podem ser “ensinados” de forma natural dentro das práticas corporais.
“Ser professor de Educação Física infantojuvenil é muito mais do que ensinar esportes ou aplicar atividades motoras. É ser um educador integral, que ajuda a formar seres humanos em aspectos físicos, sociais, emocionais e cognitivos. Em resumo: é formar cidadãos através do movimento, cuidando do corpo, mas também do coração, da mente e das relações. O esporte não é só movimento físico: ele é experiência social, emocional e cognitiva, e isso reflete diretamente na sala de aula”, acrescenta o professor.
Parceria entre escola e famílias
Léo defende uma escola que não só pode, mas que deve ser grande parceira das famílias na formação de hábitos mais saudáveis. “Afinal, é um dos ambientes em que a criança passa mais tempo, aprende valores e experimenta vivências que ficam para a vida toda. A escola pode ser o espaço onde a criança descobre a alegria do movimento, entende a importância de escolhas mais saudáveis e leva esses aprendizados para dentro de casa, fortalecendo o ciclo família-escola”, completa.
Para fazer com que tudo isso dê certo, ele explica que transforma o ambiente em lúdico e divertido, transformando cada atividade em uma experiência prazerosa, usando jogos, brincadeiras e dinâmicas que envolvem todas as crianças. Entre as ações fundamentais, aponta o respeito às diferenças e a adaptação das atividades para que todos possam participar, valorizando o esforço de cada aluno e incentivando a superação pessoal.
Na lista constam ainda criatividade e motivação: propostas inovadoras que vão além do esporte tradicional, estimulando a imaginação e o trabalho em equipe. O incentivo, por sua vez, é não apenas para as crianças se movimentarem, mas para aprenderem valores como cooperação, disciplina e solidariedade.





