EUA reduzem tarifas, China reduz ritmo e Brasil entra em alerta no mercado da carne bovina

EUA reduzem tarifas, China reduz ritmo e Brasil entra em alerta no mercado da carne bovina
Fotos: Divulgação

Redução parcial das taxas norte-americanas não reabre o mercado de imediato, enquanto a desaceleração das compras chinesas aumenta o risco de sobra de carne no Brasil e pressiona o setor em 2025

A recente decisão dos Estados Unidos de reduzir em 10 pontos percentuais a tarifa de reciprocidade sobre carnes e outros produtos brasileiros não deve trazer nenhum efeito de imediato ao setor da carne bovina. Isso porque, a tarifa principal, que permanece em torno de 40%, ainda impede a retomada de volumes significativos de exportação. De acordo com o consultor financeiro e zootecnista Fabiano Tavares, “essa redução é limitada e não representa, por ora, uma reabertura efetiva do mercado norte-americano”. Ele explica que “o que aconteceu foi apenas a retirada da taxa de reciprocidade, mas o bloqueio mais pesado continua”, o que impede o retorno de embarques expressivos ao país.

Reportagens recentes reforçam esse cenário. A agência Reuters destacou que as tarifas elevadas dos EUA tendem a redesenhar o fluxo global de comércio de carne bovina, enquanto a Argus Media informou que, mesmo com o corte de 10 pontos percentuais, a tarifa principal de 40% permanece em vigor. Para Fabiano, o resultado é claro: “há um alívio, mas ele é parcial; não há ambiente para imaginar que as exportações voltarão com força”.

Ao mesmo tempo, o mercado chinês, essencial para a exportação de carne bovina brasileira, não está aquecido como de costume. A China suspendeu compras de algumas empresas nacionais por questões regulatórias e excesso de estoque, e analistas apontam que o país tem sinalizado maior cautela, inclusive avaliando medidas de salvaguarda. Fabiano observa que “a frieza do mercado chinês neste fim de ano é atípica”, já que historicamente a demanda do país costuma dar sustentação aos embarques brasileiros no período.

A combinação de tarifas ainda elevadas nos EUA e de moderação da China aumenta o risco de que volumes sem destino no exterior acabem voltando para o mercado doméstico, pressionando os preços internos. “Mesmo com a redução parcial da taxa americana, não haverá retomada rápida das exportações”, afirma o consultor. Ele alerta ainda para a possibilidade de “excesso de carne que não vai nem para o mercado americano, nem para a China, inundar o mercado brasileiro e fazer pressão de queda no preço”.

O cenário para 2025 e 2026 se apresenta mais desafiador do que a média histórica, e Fabiano reforça a importância de uma atuação cautelosa. Segundo ele, produtores, frigoríficos e exportadores precisam reforçar o monitoramento dos contratos internacionais, acompanhar atentamente os volumes aprovados pelos importadores e se atentar aos padrões sanitários e de qualidade exigidos. Também recomenda revisão de estratégias de mercado e fortalecimento de cadeias produtivas alinhadas às exigências de sustentabilidade.

Em síntese, a redução tarifária dos Estados Unidos oferece algum respiro, mas a desaceleração da China traz incertezas relevantes. Para Fabiano Tavares, “a alegria da tarifa menor pode ser falsa se não vier acompanhada de mercado comprador”. O momento exige prudência, planejamento e respostas ágeis por parte de todo o setor para atravessar essa janela de risco.

@fabianotavares0