Expansão da Internet das Coisas leva Anatel a revisar cenário regulatório do setor
Mercado reúne cerca de 30 milhões de acessos e enfrenta discussões sobre concorrência, infraestrutura e novos modelos de negócio
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu tomada de subsídios para avaliar o mercado de Internet das Coisas (IoT) e comunicação máquina-a-máquina (M2M). A autarquia pretende reunir informações sobre barreiras regulatórias, técnicas e comerciais que afetam o setor, além de embasar sua atuação na composição de conflitos entre empresas. Segundo a agência, a iniciativa busca ampliar a compreensão sobre o funcionamento do mercado de conectividade, dispositivos e soluções de IoT, identificando eventuais obstáculos à concorrência e ao desenvolvimento de novos negócios.
A discussão ocorre em um momento de expansão da Internet das Coisas no Brasil. Dados da Anatel apontam que o país possui cerca de 30 milhões de acessos de IoT e M2M, volume que representa aproximadamente 11% das conexões móveis nacionais. O crescimento desse mercado tem levado ao surgimento de discussões sobre acesso à infraestrutura, modelos de contratação e condições de competição entre os diferentes agentes da cadeia.
Parte desse avanço está associada à integração da Internet das Coisas com soluções de inteligência artificial, tendência que vem ampliando as aplicações da tecnologia no ambiente corporativo.
O avanço da Internet das Coisas tem ocorrido paralelamente à incorporação de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para processar e interpretar o grande volume de informações geradas por dispositivos conectados. Segundo a Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC), mais de 80% das empresas brasileiras que utilizam IoT já adotam ou planejam adotar soluções integradas com IA. No Panorama 2026 da entidade, a combinação entre as duas tecnologias foi apontada como o principal fator de transformação do setor, com 39,6% das respostas.
Com a aprovação do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) de 2025, a Anatel passou a acompanhar disputas relacionadas a cobranças por dispositivos conectados, cláusulas de exclusividade contratual e acesso a tecnologias utilizadas em serviços de comunicação máquina-a-máquina. A agência também registrou aumento da judicialização envolvendo o segmento.
Entre os temas que serão analisados na tomada de subsídios estão o impacto do aumento de dispositivos conectados sobre as redes de telecomunicações, os investimentos necessários para garantir a conectividade, os modelos de atuação das empresas e eventuais restrições que possam dificultar a entrada de novos participantes no mercado.
Para Fabiano Carvalho, especialista em Transformação Digital e CEO da Ikhon, a abertura da consulta demonstra que o mercado brasileiro entrou em uma nova fase de desenvolvimento. Segundo ele, a expansão da IoT enfrenta desafios relacionados à infraestrutura de conectividade e à integração entre sistemas.
“O maior desafio é criar redes com baixa latência para que as informações sejam trafegadas de forma rápida e confiável. A expansão da rede 5G por todo o país é imprescindível para garantir uma conexão ultrarrápida e favorável ao uso de equipamentos de Internet das Coisas. Outro desafio é a integração de sistemas, que traz em si fatores delicados como as questões de segurança e privacidade dos dados, além de problemas de ordem mais prática, como processos para realizar a integração entre dispositivos de diferentes fabricantes e falta de modelos que sejam aplicados de forma igual padronizada pelo mercado”, afirma o CEO da Ikhon.




