“Há resistência do governo ao projeto do Simples”, diz deputado que coordena frente das pequenas empresas

“Há resistência do governo ao projeto do Simples”, diz deputado que coordena frente das pequenas empresas

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
À espera de inclusão na pauta para votação no plenário da Câmara, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/21, que reajusta o Simples Nacional, enfrenta resistência da área econômica do governo e precisa de acordo para avançar. “O relatório, como está lá, não vai ser aprovado”, afirmou o deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), coordenador da Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas. “Temos que encontrar um meio-termo.” O projeto aumenta o teto de enquadramento do Simples e do Microempreendedor Individual (MEI). Entidades do setor produtivo têm se manifestado pela aprovação, alegando defasagem, já que não há correção desde 2018.

“Havia e ainda há certa resistência da parte do governo”, disse o deputado, que também preside o Republicanos em Santa Catarina. Por governo, leia-se Ministério da Fazenda e Receita Federal. Goetten se reuniu na semana anterior ao carvanal com o líder da bancada, Augusto Coutinho (PE), e com o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França. “Temos o compromisso de construir um relatório de comum acordo”, afirmou o parlamentar. No final do ano, o ministério disse que o Simples era tema “em construção” no governo.

Segundo Goetten, o movimento pela aprovação do PLP 108 estava “com força total” no último bimestre de 2025. “Conseguimos colocar na pauta o requerimento de urgência. Estava na cara do gol, mas foi retirado da pauta.” Agora, o líder do Republicanos voltará a conversar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), que é do mesmo partido, para tentar destravar a tramitação do projeto. “Não vejo motivo para não avançarmos no requerimento de urgência.” Ainda no início de outubro, representantes do setor, incluindo o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, se reuniram com Motta para pedir urgência na votação.

Para o coordenador da frente parlamentar, a falta de correção desestimula o pequeno empresário e pode empurrá-lo para a ilegalidade, além de prejudicar a atividade econômica e o próprio governo. “Todo mundo perde. O empresário quer trabalhar na legalidade, mas temo que dar condições para isso”, afirmou Goetten, que tem estabelecimento (restaurante e lanchonete) enquadrados no Simples. “Tive uma empresa que foi ‘desenquadrada'”, disse o deputado. “A atualização vai ajudar muito a economia.”