Opinião: A origem dos investimentos que hoje estão em execução em Jataí
Planejamento, projetos e recursos garantidos também fazem parte das entregas à população, ainda que muitas obras sejam concluídas por administrações posteriores.
L.Borges/FS
Quando uma obra pública é inaugurada, a população costuma enxergar apenas sua etapa final. É natural que quem entrega uma obra faça a divulgação do resultado. No entanto, existe uma fase anterior que muitas vezes passa despercebida: planejamento, elaboração de projetos, licenciamento, captação de recursos, aprovação técnica, licitação e garantia financeira. Sem essas etapas, nenhuma obra sai do papel.
Uma planilha elaborada ao final da gestão do ex-prefeito Humberto Machado mostra justamente esse cenário. O documento relaciona 34 obras e investimentos que estavam em execução, licitação, fase de projetos ou com recursos financeiros assegurados para continuidade.
Entre os maiores investimentos está a pavimentação de aproximadamente 60 quilômetros de estradas municipais, que já possuía R$ 33 milhões garantidos por recursos municipais e financiamento. Trata-se de uma das maiores intervenções já planejadas para a zona rural de Jataí.
Na saúde, o documento aponta que a UBS do Setor Fabriny já contava com R$ 3,3 milhões em conta, enquanto a UBS da Vila Luiza possuía R$ 2,9 milhões disponíveis. A unidade do Setor Colmeia Park tinha R$ 5 milhões assegurados, além da previsão de R$ 2,2 milhões para a UBS do Conjunto Estrela D'Alva.
A lista também registra R$ 7 milhões disponíveis para o Hospital Padre Tiago e R$ 25 milhões destinados à futura Policlínica Tipo II, além de projetos para ampliação do Centro de Reabilitação, reforma do CAPS II e implantação do Hemocentro Regional.
Na infraestrutura urbana, aparecem R$ 9 milhões destinados ao prolongamento da Avenida Leomar Ferreira Melo, R$ 14 milhões para recapeamento de diversos bairros e outros R$ 14 milhões para implantação da iluminação pública em LED em toda a cidade.
O documento ainda registra investimentos em drenagem urbana, como R$ 2,8 milhões para a Estação Cidadania e R$ 2,2 milhões para galerias pluviais no Jardim Brásnipo, além de projetos para revitalização do Parque JK, implantação do Parque Universitário II, construção da ponte do Ribeirão Bom Jardim, aeroporto regional, escolas, centros de educação infantil e outras obras estruturantes.
Na área habitacional, estavam previstos 90 imóveis por meio da Agehab, com investimento de aproximadamente R$ 18 milhões, além de outras 100 unidades habitacionais vinculadas ao programa Minha Casa Minha Vida, cuja área já havia sido adquirida.
Também constam investimentos de R$ 15 milhões para implantação do Parque Tecnológico Jataí Tech, R$ 3,3 milhões para melhorias no Estádio Arapucão, recursos para reforma de unidades escolares, construção de novas estruturas e diversos projetos que integravam o planejamento municipal.
Naturalmente, nem todas essas obras foram concluídas durante uma única administração. Algumas estavam apenas iniciando; outras dependiam de licitações, repasses federais ou estaduais e do cumprimento de cronogramas técnicos. Essa é uma característica comum da administração pública.
O reconhecimento de quem conclui uma obra é legítimo. Mas também parece justo reconhecer o trabalho de quem elaborou projetos, buscou financiamentos, garantiu recursos e criou as condições para que esses investimentos fossem executados.
Obras públicas não pertencem a governos ou partidos políticos. Elas pertencem à população. Por isso, conhecer sua origem, entender como foram financiadas e acompanhar todas as etapas de sua execução fortalece a transparência e valoriza a continuidade administrativa, princípio fundamental para qualquer gestão pública eficiente.
Este artigo de opinião foi elaborado com base na planilha "Obras em andamento que serão concluídas após 2024", produzida ao término da administração municipal anterior.




