Audiência pública debate estratégias para prevenção e combate aos incêndios em vegetação

Audiência pública debate estratégias para prevenção e combate aos incêndios em vegetação
(Foto: Rafael Matias/CMJ)

A Câmara Municipal de Jataí promoveu, na tarde de 24 de junho de 2026, no plenário João Justino de Oliveira, uma audiência pública para discutir os impactos ambientais, sociais, econômicos e de saúde pública provocados pelos incêndios em vegetação no município, além de apresentar e debater medidas preventivas e estratégias para reduzir esses eventos.

A audiência foi realizada em cumprimento ao Requerimento nº 275/2026, apresentado por todos os vereadores e aprovado pelo plenário. Participaram representantes do Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Sindicato Rural de Jataí, Conselho de Desenvolvimento Econômico de Jataí (Codeja), cooperativas, órgãos ambientais, Guarda Civil Municipal, produtores rurais e demais autoridades.

Na abertura dos trabalhos, o presidente da Câmara, Marcos Patrick, destacou a importância de reunir instituições públicas e privadas para discutir o problema antes do período mais crítico da estiagem.

"É muito importante debatermos assuntos relacionados aos incêndios em vegetação. Nos anos anteriores nossa cidade foi coberta de fogo em várias regiões. É fundamental que participem o Corpo de Bombeiros, as empresas, o Sindicato Rural, o Codeja e toda a sociedade para que possamos ajudar e otimizar esse trabalho. A Câmara estará sempre aberta para discutir temas como este", afirmou.

O vereador Guilherme Alves ressaltou que o encontro tinha como principal objetivo o planejamento das ações preventivas. "Hoje o que se discute é planejamento. Imagino que vamos sair daqui com um plano de ações. Esse trabalho conjunto é extremamente importante para enfrentarmos essa problemática."

O vereador Carlone Assis recordou os impactos das queimadas ocorridas em 2024. "Foi talvez o pior ano de queimadas em nosso município, especialmente na zona rural. O transporte escolar ficou praticamente três dias suspenso por causa dos incêndios. Precisamos conscientizar a população e fazer um planejamento específico tanto para a zona rural quanto para os lotes urbanos."

O vice-presidente da Câmara, Lazinho do Asfalto, destacou a mobilização dos produtores rurais e das forças de segurança. "Hoje vejo as forças de segurança e os produtores rurais trabalhando unidos. Cada região criou grupos para agir rapidamente quando surge um foco de incêndio. Essa audiência é importante para que estejamos cada vez mais preparados."

O vereador Abimael Silva lembrou os prejuízos provocados pelas queimadas. "Em 2024 sofremos muito com as queimadas, tanto na zona rural quanto na cidade. A Câmara buscou recursos e apoio para reforçar o combate aos incêndios. Participar deste planejamento é extremamente importante."

Carlinhos Canzi ressaltou a necessidade de evitar que a situação volte a se repetir. "Não quero jamais ver novamente o que aconteceu em 2024. Sei que todos estão unidos no mesmo propósito e tenho certeza de que este encontro será valioso para combater os incêndios em Jataí."

Durval Júnior afirmou que a audiência permitiria ampliar o conhecimento dos parlamentares sobre o tema. "Estamos aqui para ouvir o Corpo de Bombeiros, entender melhor esse assunto e colaborar no que for necessário. Tivemos regiões muito castigadas, como o assentamento Rio Paraíso, onde produtores perderam equipamentos e sofreram grandes prejuízos."

O secretário da mesa diretora, vereador Luciano Lima, destacou que a audiência representa uma ferramenta de prevenção. "Esta audiência pública é um dos pilares da prevenção. Aqui serão apresentados pensamentos e diretrizes que vão fortalecer o trabalho conjunto entre o Corpo de Bombeiros e as demais forças de segurança."

Após as manifestações iniciais, o tenente-coronel Eduardo Monteiro, comandante do 13º Batalhão Bombeiro Militar, apresentou um levantamento estatístico elaborado a partir dos registros oficiais do Corpo de Bombeiros entre 2019 e 2025.

Segundo ele, foram registradas 1.208 ocorrências de incêndios em vegetação no período, média anual de 173 atendimentos, sendo 791 em áreas urbanas e 417 na zona rural. "O problema dos incêndios florestais é intersetorial. Ele envolve órgãos públicos, iniciativa privada e toda a sociedade. Quanto mais pessoas analisarem esse problema, maiores serão as chances de encontrarmos soluções eficazes."

O comandante informou que aproximadamente 64% das ocorrências concentram-se entre julho e setembro e que maio representa o início do período crítico. "O incêndio em Jataí não acontece por acaso. Ele tem horário, período e comportamento bem definidos. Os dados mostram que a prevenção precisa acontecer antes de maio."

Eduardo Monteiro afirmou ainda que cerca de 65% das ocorrências registradas ocorreram dentro do perímetro urbano. "Muitas vezes atribuímos o problema apenas ao meio rural, mas quase 70% das nossas ocorrências acontecem dentro da cidade, principalmente em lotes vagos e áreas com vegetação acumulada."

O comandante defendeu a criação de um calendário permanente de prevenção, intensificação da fiscalização, limpeza obrigatória de terrenos e campanhas educativas voltadas à população. "O incêndio que destruirá uma área verde, uma lavoura ou uma residência não avisará com antecedência. Os dados já avisaram. A única variável que ainda não entrou na estatística é a nossa decisão de agir hoje."

Durante a audiência, o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Jataí (Codeja), Antônio José Gazarini, fez um relato dos prejuízos enfrentados pelos produtores rurais e contestou a ideia de que o agronegócio seja o principal responsável pelos incêndios.

"Quem produz não coloca fogo no próprio patrimônio. Nós arriscamos nossas vidas, nossos colaboradores e máquinas que valem milhões de reais para combater os incêndios. Em 2024, um incêndio iniciado próximo à cidade destruiu milhares de hectares e reduziu em oito sacas por hectare a produtividade da soja em algumas propriedades."

Segundo ele, produtores rurais vêm investindo em caminhões-pipa, brigadas, tratores equipados e aeronaves para combater incêndios. "Estamos preparados para ajudar. Somos parceiros do Corpo de Bombeiros, da prefeitura e da Câmara Municipal. O que queremos é preservar nosso patrimônio."

Representando a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a fiscal Fernanda Silva Bringel de Castro afirmou que a fiscalização enfrenta dificuldades para identificar autores de queimadas ilegais e defendeu investimentos em educação ambiental. "Muitas denúncias chegam sem elementos que permitam identificar os responsáveis. Quando conseguimos localizar o autor, notificamos, orientamos e autuamos. Mas acredito que o futuro está nas crianças. Precisamos desenvolver projetos de educação ambiental para romper essa cultura do uso do fogo."

Ela também pediu reforço no quadro de servidores. "Precisamos muito de concurso público. Hoje somos apenas quatro fiscais para atender toda a zona urbana e rural."

Em seguida, Luciano Lima voltou a defender a ampliação das campanhas educativas. "Precisamos fortalecer a comunicação por meio de cartilhas, materiais voltados às crianças e campanhas permanentes. A conscientização deve alcançar toda a população."

Um bombeiro militar que atua diretamente nas operações reforçou que eliminar o combustível disponível para o fogo é uma das medidas mais eficazes. "Se não há combustível, não há fogo. Precisamos retirar mato, lixo e entulho dos lotes. Se o proprietário não fizer sua parte, a prefeitura deve executar o serviço e cobrar posteriormente."

Representando a Polícia Rodoviária Federal, o chefe da Delegacia da PRF em Jataí, Cléuber Lima Soares, destacou os impactos das queimadas sobre a segurança nas rodovias. "As queimadas geram fumaça, reduzem a visibilidade, provocam acidentes, interrompem o tráfego e comprometem a logística da região. Esse problema também afeta diretamente a missão da Polícia Rodoviária Federal de proteger vidas."

Ao final da audiência, o vereador Carlone Assis afirmou que o legislativo deverá analisar formas de apoiar financeiramente o plano apresentado pelo Corpo de Bombeiros. "Vamos estudar mecanismos legais para viabilizar recursos destinados às ações preventivas. Se esse planejamento funcionar, toda a população será beneficiada."

Marcos Patrick encerrou os trabalhos destacando que as contribuições apresentadas servirão de base para futuras ações conjuntas entre o legislativo, o executivo, o Corpo de Bombeiros e as demais instituições participantes no enfrentamento aos incêndios em vegetação no município.

Francisco Cabral
Câmara Municipal de Jataí